sábado, 16 de outubro de 2010
Onde pára a Blogosfera?
Que parte do mundo ocupa a Blogosfera? Onde é que ela está? Com tanta informação publicada em posts não se faz lixo nenhum? Qual é o impacto ambiental de tanto post? Para onde é que eles vão?
Já se sabe, para os arquivos. Mas para mim os arquivos são grandes armários ou intermináveis estantes carregadas de documentação obsoleta que faz no entanto parte do histórico de determinado escritório ou redacção. Mas nos blogs não é assim. Não se sabe em que espaço pára a informação.
Platão gostaria de ter vivido nesta era digital, onde parece que caminhamos para a não existência. No mundo virtual poderemos estar perto no mundo das ideias, onde o corpo deixará de existir.
Apenas a mente, dentro do mundo digital.
Qual Pantera cor-de-rosa quando tenta aspirar uma mosca pousada no seu nariz e acaba a aspirar-se a si própria, assim viveremos no mundo virtual. Personagens, surrogates de nós próprios.
A grande transição será quando não precisarmos de comer. O que nos agarra o corpo é a fome.
E por acaso estou cheio de fome. Afinal era isso. Vou comer.
Já não quero saber onde pára a Blogosfera. Mas no entanto, questões como esta não deveriam ficar em branco. Tal como aquela questão que o Markl referiu no seu livro de cromos: "como é que os jornalistas cabem na televisão? Onde é que metem as pernas?"
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
True blood - interessante, so far
Com uma palete de personagens conspícuas e uma atmosfera carregada de misticismo, "True blood" remete-nos para uma América profunda, para um ambiente estilo "Sítio do picapau amarelo", mas em negro. E sangrento.
Temos Tara em vez da boneca Emília. Lafayette (na imagem) no lugar do Conde de Sabugosa.
A Aninhas... só se for a Anna Paquin que interpreta "Sookie" (apesar da Sookie ser fogo).
É caso para adaptar a letra do Sítio onde a marmelada é de banana, a bananada é de goiaba e a goiabada é de marmelo, que remetia para a criatura negra da série:
"Cuidado que o vampiro te pega
e pega daqui
e pega de lá"
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Hoje sofro de averellismo...
Joe Dalton: "Estás cansado, imbecil!"
in... Dalton city? (tenho que confirmar)
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Ruas dos nossos destinos
Ok, talvez o título de “burro marrão” tenha sido um exercício demasiado exaustivo de auto-comiseração. Mas tinha as minhas fragilidades na escola, nomeadamente a participação nas aulas. Litros de adrenalina invadiam-me as veias sempre que era chamado a participar. Era uma ansiedade tremenda. Acho que grande parte dos meus traumas funda-se precisamente aí, no pesadelo que era uma solicitação para ir ao quadro.
Um dos episódios que ainda hoje recordo vivamente - ou diria antes, que ainda me faz acordar durante a noite com suores frios - passou-se numa aula de Ciências da Natureza, no 2ªano do ciclo preparatório. Certo dia a então professora Conceição Ruas deu uma aula sobre “Cancro” e resolveu começá-la de uma forma diferente. Sabendo-me filho de médicos, incitou-me a ir ao quadro explicar à turma o que é que eu sabia sobre o tema. A partir da minha introdução abrir-se-ia o mote para discussão geral na sala. Escusado será dizer que fiquei em pânico, aturdido de horror, petrificado, mas lá me desloquei, devagar e relutantemente ao maldito quadro. Tinha uma sala cheia de olhos postos em mim, e um grande vazio no meu cérebro. Até que me lembrei da última conversa que tivera com a minha avó sobre esse tema nas últimas férias. Basicamente, peguei nas sábias palavras da minha avó e fi-las minhas. “O cancro é como umas raízes que se desenvolvem num determinado órgão…”, comecei eu, “e depois essas raízes espalham-se para outras partes do corpo”, continuei eu, enleando-me cada vez mais no tropel de idiotices que me vinham à memória. Buscar inspiração na – não desfazendo - sabedoria da minha avó não seria com certeza o que a professora tinha em mente, como deu para constatar quando lhe olhei pelo canto do olho.
A professora já estava verde. E não, não era por ser a professora de Ciências da Natureza.
“Obrigada Guilherme, pode-se sentar” disse-me ela por fim. E depois, virando-se para a turma, a Prof. São Ruas solenemente concluiu “Não é nada disto”.
Se alguma hipótese havia de eu ter seguido Medicina, desmoronou-se aí, nesse momento, como um castelo de cartas. Mas por pouco não fui caso único no currículo desta professora. Havia também um colega, o Nuno Carmona, que sonhava ser músico. Um dia, ao recebermos os testes de ciências, Carmona sentiu o futuro a aniquilar-se diante dos seus olhos ao receber um “Satisfaz Bastante”. Foi com estupefacção que a turma viu, pela primeira vez, Carmona lavado em lágrimas e percebemos logo porquê. Uma nota “Excelente” traduzir-se-ia numa grande recompensa: a oferta do seu tão almejado violino.
Esta história seria arrebatadoramente romântica se o nosso amigo tivesse ficado de tal forma marcado pela frustração que tivesse lutado a vida toda por ter um violino e fosse hoje um conceituado violinista. Mas nunca mais lhe ouvimos falar do violino.
No outro dia almocei com o Nuno e perguntei-lhe o que tinha sucedido desde esse dia ao que ele me respondeu “Ah isso… acabei por receber o violino na mesma. Ainda ali está a um canto”. E passámos o resto do almoço a falar dos nossos actuais interesses, nomeadamente, tocar órgãos de tubos.
