a-chave-dicotómica

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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Álvaro de Campos

"Que bom poder-me revoltar num comício dentro de minha alma!

(...) Merda! Sou lúcido."

Trecho de “Cruzou por mim, veio ter comigo, numa rua da Baixa”, do grandioso Álvaro de Campos.

Este poema merece ser lido na sua totalidade. Tal como a “Tabacaria”, tal como muitos outros de Fernando Pessoa.

Se Fernando Pessoa fosse vivo, e ainda estivesse em boas condições para pensar, e tivesse umas lições de guionismo com o Robert Mckee, daria o melhor argumentista de thrillers psicológicos de sempre.

O homem escreve.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Quem Sabre, Sabre

Não é que tenha ficado algo mal resolvido na minha infância mas, meus amigos, eu posso não ter passado mais nenhum jogo, mas passei o Sabre Wulf. Já na idade adulta, ok, mas que interessa o quando? Interessa o como. E o como foi sem vidas infinitas. Está bem, com um mapa, mas isso não é importante. Vejam-me mas é aqui, de espada em riste, feita para matar este ouriço (?), e depois aquela salamandra (?) e finalmente o escorpião! Isto sim, grandes gráficos.
PS: Lembrei-me agora que também passei o Bruce Lee. E talvez mais uns quantos.

I need a car wash

Sensu H. Carter, in "Shrink".

domingo, 3 de outubro de 2010

Cromos canibais

Talvez o fascínio por zombies seja também uma questão geracional. Clássicos do tema zombie, quer do George Romero, quer do Sam Raimi, ou mesmo do Carpenter, vieram das décadas 70-80, ou seja, cresceram na minha infância, fizeram parte da minha adolescência, e por isso mesmo, tornaram-se parte do meu imaginário. Mas por que foram as décadas de 70-80 propícias ao desenvolvimento do tema? E por que será que este estilo gore, a roçar o ridículo, pegou tão bem? Mais uma vez a minha teoria remete para o clima de Guerra Fria, e a ameaça permanente que pairava do holocausto nuclear. É só uma teoria, mas encontro uma clara ligação entre “ambiente zombie” e cenários catastróficos do pós-nuclear.
De facto, foi nessa época que tanta ficção girou à volta destes temas, desde o cinema (lembro-me do “The day after”, onde a imagem do cogumelo se afigura como símbolo do terror supremo), até à banda desenhada (lembro-me de “La survivant”, uma obra premiada na altura, entre muitos outros). E invariavelmente estes temas retratam os ambientes sombrios de um futuro pós-apocalíptico. Os espaços de repente vazios de uma outrora metrópole, dominados por destroços e poeiras, são cenário para a quebra do contrato social e a luta pela sobrevivência.
E é justamente aqui que o “holocausto nuclear” e a temática zombie se tocam. Porque mais do que um bando de mortos a erguerem-se da cripta, os filmes zombie são por natureza filmes sobre sobrevivência. Remetem também para cenários catastróficos onde reina o caos e o estado de sítio. Uma guerra de todos contra todos onde tudo vale pela sobrevivência. Até mesmo o canibalismo.
Tal como em filmes de zombies, não é infrequente encontrar canibalismo em obras que remetem para cenários pós-holocausto, nuclear ou outro, porque entretanto o paradigma do terror se alterou mais para o lado das pandemias ou catástrofes naturais. Desde a velhinha BD “La survivant” até filmes recentes como “Eu sou a lenda”, “A estrada”, ou “O livro de Eli”. Não que os filmes que referi em particular sejam muito interessantes mas possuem estes elementos românticos do meu imaginário construído, justamente, em plena ameaça nuclear global. Que entretanto se esfumou no tempo deixando apenas os seus vestígios na minha acepção estética pelo estilo zombie. E mais do que o estilo, o conceito. Deveria sugeri-lo à "Caderneta de cromos" do Markl, se é que não foi já sugerido.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Zombies

Em tempos de vampiros, não sei por que sou fascinado por zombies. Os filmes de zombies são por natureza grindhouse, filmes de género malfeitosos, horror gore quase comédia, sem o charme ou a subtileza dos vampiros. Mas têm a meu ver um potencial enorme como metáfora. A poesia que vi em filmes de vampiros como "Let the right one in" não foi ainda explorada no universo zombie, mas por que não?
Marco Martins, ao falar da sua "Alice", tocou no tema zombie quando se referiu à migração massiva de pessoas que todos os dias vêm dos subúrbios de Lisboa, frequentando os transportes públicos. Nós todos podemos ser zombies, depende do contexto. Nós todos podemos viver estando mortos, depende do contexto. É só uma questão de explorar a ideia.

Voltei

Ainda sinto os dedos gelados da crio-preservação. Mas postarei assim que estiverem quentes, ai pois postarei.