a-chave-dicotómica

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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Quem Sabre, Sabre

Não é que tenha ficado algo mal resolvido na minha infância mas, meus amigos, eu posso não ter passado mais nenhum jogo, mas passei o Sabre Wulf. Já na idade adulta, ok, mas que interessa o quando? Interessa o como. E o como foi sem vidas infinitas. Está bem, com um mapa, mas isso não é importante. Vejam-me mas é aqui, de espada em riste, feita para matar este ouriço (?), e depois aquela salamandra (?) e finalmente o escorpião! Isto sim, grandes gráficos.
PS: Lembrei-me agora que também passei o Bruce Lee. E talvez mais uns quantos.

I need a car wash

Sensu H. Carter, in "Shrink".

domingo, 3 de outubro de 2010

Cromos canibais

Talvez o fascínio por zombies seja também uma questão geracional. Clássicos do tema zombie, quer do George Romero, quer do Sam Raimi, ou mesmo do Carpenter, vieram das décadas 70-80, ou seja, cresceram na minha infância, fizeram parte da minha adolescência, e por isso mesmo, tornaram-se parte do meu imaginário. Mas por que foram as décadas de 70-80 propícias ao desenvolvimento do tema? E por que será que este estilo gore, a roçar o ridículo, pegou tão bem? Mais uma vez a minha teoria remete para o clima de Guerra Fria, e a ameaça permanente que pairava do holocausto nuclear. É só uma teoria, mas encontro uma clara ligação entre “ambiente zombie” e cenários catastróficos do pós-nuclear.
De facto, foi nessa época que tanta ficção girou à volta destes temas, desde o cinema (lembro-me do “The day after”, onde a imagem do cogumelo se afigura como símbolo do terror supremo), até à banda desenhada (lembro-me de “La survivant”, uma obra premiada na altura, entre muitos outros). E invariavelmente estes temas retratam os ambientes sombrios de um futuro pós-apocalíptico. Os espaços de repente vazios de uma outrora metrópole, dominados por destroços e poeiras, são cenário para a quebra do contrato social e a luta pela sobrevivência.
E é justamente aqui que o “holocausto nuclear” e a temática zombie se tocam. Porque mais do que um bando de mortos a erguerem-se da cripta, os filmes zombie são por natureza filmes sobre sobrevivência. Remetem também para cenários catastróficos onde reina o caos e o estado de sítio. Uma guerra de todos contra todos onde tudo vale pela sobrevivência. Até mesmo o canibalismo.
Tal como em filmes de zombies, não é infrequente encontrar canibalismo em obras que remetem para cenários pós-holocausto, nuclear ou outro, porque entretanto o paradigma do terror se alterou mais para o lado das pandemias ou catástrofes naturais. Desde a velhinha BD “La survivant” até filmes recentes como “Eu sou a lenda”, “A estrada”, ou “O livro de Eli”. Não que os filmes que referi em particular sejam muito interessantes mas possuem estes elementos românticos do meu imaginário construído, justamente, em plena ameaça nuclear global. Que entretanto se esfumou no tempo deixando apenas os seus vestígios na minha acepção estética pelo estilo zombie. E mais do que o estilo, o conceito. Deveria sugeri-lo à "Caderneta de cromos" do Markl, se é que não foi já sugerido.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Zombies

Em tempos de vampiros, não sei por que sou fascinado por zombies. Os filmes de zombies são por natureza grindhouse, filmes de género malfeitosos, horror gore quase comédia, sem o charme ou a subtileza dos vampiros. Mas têm a meu ver um potencial enorme como metáfora. A poesia que vi em filmes de vampiros como "Let the right one in" não foi ainda explorada no universo zombie, mas por que não?
Marco Martins, ao falar da sua "Alice", tocou no tema zombie quando se referiu à migração massiva de pessoas que todos os dias vêm dos subúrbios de Lisboa, frequentando os transportes públicos. Nós todos podemos ser zombies, depende do contexto. Nós todos podemos viver estando mortos, depende do contexto. É só uma questão de explorar a ideia.

Voltei

Ainda sinto os dedos gelados da crio-preservação. Mas postarei assim que estiverem quentes, ai pois postarei.

quarta-feira, 10 de março de 2010

"Two things, my Lord, must you know of the Wise Woman.

First... she is a woman."

in BlackAdder (Season 2, Episode 1: the bells)

domingo, 7 de março de 2010

La double vie...

Não o vi na altura em que andava apaixonado pela Irene Jacob e principalmente pela sua interpretação no "Rouge", vi-o agora, "a dupla vida de Veronique". Um filme do mestre Krzysztof Kieślowski. Mais um filme difícil, (sono)lento, mas de grande interioridade. E, sobretudo, mais uma vez, estonteantemente belo. São traços artísticos deste realizador polaco, que nunca nos deixa levantar do sofá da sala do cinema, ou neste caso da cadeira do meu estúdio em Amesterdão, sem aquela sensação de quem assistiu a uma Obra, um poema, sob a forma de cinema.
Falando em países baixos, também não indiferente se fica à malha musical que sempre acompanha os filmes de Kieślowski, atrbuída a um suposto compositor holandês do século XVIII, de seu nome Van den Budenmayer, mas que não é mais que um personagem fictício inventado pelo realizador e o seu verdadeiro compositor, Zbigniew Preisner.
Particularmente bela, no filme, a cena das marionetes. Coisa magnífica. Numa palavra, Kieślowski. Goste-se ou não.