a-chave-dicotómica

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quarta-feira, 10 de março de 2010

"Two things, my Lord, must you know of the Wise Woman.

First... she is a woman."

in BlackAdder (Season 2, Episode 1: the bells)

domingo, 7 de março de 2010

La double vie...

Não o vi na altura em que andava apaixonado pela Irene Jacob e principalmente pela sua interpretação no "Rouge", vi-o agora, "a dupla vida de Veronique". Um filme do mestre Krzysztof Kieślowski. Mais um filme difícil, (sono)lento, mas de grande interioridade. E, sobretudo, mais uma vez, estonteantemente belo. São traços artísticos deste realizador polaco, que nunca nos deixa levantar do sofá da sala do cinema, ou neste caso da cadeira do meu estúdio em Amesterdão, sem aquela sensação de quem assistiu a uma Obra, um poema, sob a forma de cinema.
Falando em países baixos, também não indiferente se fica à malha musical que sempre acompanha os filmes de Kieślowski, atrbuída a um suposto compositor holandês do século XVIII, de seu nome Van den Budenmayer, mas que não é mais que um personagem fictício inventado pelo realizador e o seu verdadeiro compositor, Zbigniew Preisner.
Particularmente bela, no filme, a cena das marionetes. Coisa magnífica. Numa palavra, Kieślowski. Goste-se ou não.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Imagination land! Quando Luke Skywalker nos fala do Céu

A questão é que, com South Park, um pouco todas as noites, estou longe de me sentir isolado do mundo. South park vem logo a seguir aos The Simpsons (aos quais também assisto enquanto janto). E a seguir vem ainda, habitualmente, uma dose dupla de Scrubs. Quem disse que aqui estou só, ou mal acompanhado? Na minha imagination land (título de um fabuloso episódio - aliás triologia - de Cartman et al.) ando na realidade em muito boa companhia.

South Park é mesmo do melhor e mais revolucionário que já foi feito em televisão. Já Scrubs tem a capacidade de me divertir, com um estilo diferente de humor inteligente, baseado na fantasia de personagens hilariantes vestidos de bata, quais calquitos carimbados num cenário hospitalar. Não deixando de ser uma caricatura consegue o melhor de dois mundos, é uma comédia com algumas pinceladas comoventes, por vezes surpreendentes, nalguns episódios. Lembro-me sempre do episódio alegórico ao feiticeiro de Oz como um excelente momento de televisão.

Sim, Luke Skywalker, entre muitos outros personagens imaginários, surge em Imagination land. Vale a pena fazer-lhe uma visita.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Cambada de Cromos


"R2 D2, where are you?"
C3P0

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

"English? Who needs that? I'm never going to England."

Hommer Simpson.

Já temos mais de 20 anos de Simpsons. Ainda me lembro quando estrearam na televisão, foi na altura uma revolução nas séries de animação. Com um humor inteligente, dirigido não só às crianças mas, sobretudo, aos adultos.
Hoje algumas séries de animação vieram competir com esse nicho criado pelos Simpsons. Casos de "American dad" e "Family Guy", que escalpelizam os podres da sociedade americana com um olho ainda mais afiado e um humor tão mais corrosivo e que constantemente desafia os limites do politicamente incorrecto e de certeza choca muita gente com um humor mais "conservador". Para mim o expoente máximo desta vaga é o South Park, uma obra genial, que encontra sempre o ângulo mais desconfortável para abordar as questões. Imagino que muitos americanos vejam no South Park o anti-cristo. É que ao pé daqueles bonequinhos mal produzidos o Marilin Manson parece um anjinho.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Cartas ao Pai Natal

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Whatever works

Será que dois "super-egos" judaico-niilistas, narcisos e partidários da auto-comiseração, cabem no mesmo filme? Está bem que Woody Allen em alguns dos seus últimos filmes divergiu do estilo obsessivamente centrado em si próprio, nomeadamente em Match Point. Neste filme constrói mesmo um protagonista que é a antítese de si próprio, qual Cálicles, personagem que Platão inventa em “Górgias”, para quase destruir a sua própria doutrina nesse diálogo socrático. Em Match Point é a mera sorte que se opõe à justiça universal, protegendo o protagonista contra todas as vozes de um coro grego que gritam nas nossas consciências, mas vergam-se no fim, face a um filme impecavelmente amoral. Sem artifícios, sem penas, sem efeitos secundários. Apenas o som trágico de algumas árias de ópera adornando o passing shot sobre o espectador impotente. E deu-me a sensação que Allen estava ali connosco, partilhando esta impotência da condição humana, mais filosófica, menos pseudo-intelectual. Mas será que este animal mitológico Allen-David terá asas para voar? Como dizia Sérgio Godinho “pode alguém ser quem não é?”
A verdade é que Woody Allen continuará a ser Woody Allen e de Larry David nem se fala. Será que menos com menos dá mais? Não sei, estou céptico quanto ao resultado, mas enfim, “whatever works”, como já nos vão avisando no próprio título do filme.