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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Imagination land! Quando Luke Skywalker nos fala do Céu

A questão é que, com South Park, um pouco todas as noites, estou longe de me sentir isolado do mundo. South park vem logo a seguir aos The Simpsons (aos quais também assisto enquanto janto). E a seguir vem ainda, habitualmente, uma dose dupla de Scrubs. Quem disse que aqui estou só, ou mal acompanhado? Na minha imagination land (título de um fabuloso episódio - aliás triologia - de Cartman et al.) ando na realidade em muito boa companhia.

South Park é mesmo do melhor e mais revolucionário que já foi feito em televisão. Já Scrubs tem a capacidade de me divertir, com um estilo diferente de humor inteligente, baseado na fantasia de personagens hilariantes vestidos de bata, quais calquitos carimbados num cenário hospitalar. Não deixando de ser uma caricatura consegue o melhor de dois mundos, é uma comédia com algumas pinceladas comoventes, por vezes surpreendentes, nalguns episódios. Lembro-me sempre do episódio alegórico ao feiticeiro de Oz como um excelente momento de televisão.

Sim, Luke Skywalker, entre muitos outros personagens imaginários, surge em Imagination land. Vale a pena fazer-lhe uma visita.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Cambada de Cromos


"R2 D2, where are you?"
C3P0

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

"English? Who needs that? I'm never going to England."

Hommer Simpson.

Já temos mais de 20 anos de Simpsons. Ainda me lembro quando estrearam na televisão, foi na altura uma revolução nas séries de animação. Com um humor inteligente, dirigido não só às crianças mas, sobretudo, aos adultos.
Hoje algumas séries de animação vieram competir com esse nicho criado pelos Simpsons. Casos de "American dad" e "Family Guy", que escalpelizam os podres da sociedade americana com um olho ainda mais afiado e um humor tão mais corrosivo e que constantemente desafia os limites do politicamente incorrecto e de certeza choca muita gente com um humor mais "conservador". Para mim o expoente máximo desta vaga é o South Park, uma obra genial, que encontra sempre o ângulo mais desconfortável para abordar as questões. Imagino que muitos americanos vejam no South Park o anti-cristo. É que ao pé daqueles bonequinhos mal produzidos o Marilin Manson parece um anjinho.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Cartas ao Pai Natal

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Whatever works

Será que dois "super-egos" judaico-niilistas, narcisos e partidários da auto-comiseração, cabem no mesmo filme? Está bem que Woody Allen em alguns dos seus últimos filmes divergiu do estilo obsessivamente centrado em si próprio, nomeadamente em Match Point. Neste filme constrói mesmo um protagonista que é a antítese de si próprio, qual Cálicles, personagem que Platão inventa em “Górgias”, para quase destruir a sua própria doutrina nesse diálogo socrático. Em Match Point é a mera sorte que se opõe à justiça universal, protegendo o protagonista contra todas as vozes de um coro grego que gritam nas nossas consciências, mas vergam-se no fim, face a um filme impecavelmente amoral. Sem artifícios, sem penas, sem efeitos secundários. Apenas o som trágico de algumas árias de ópera adornando o passing shot sobre o espectador impotente. E deu-me a sensação que Allen estava ali connosco, partilhando esta impotência da condição humana, mais filosófica, menos pseudo-intelectual. Mas será que este animal mitológico Allen-David terá asas para voar? Como dizia Sérgio Godinho “pode alguém ser quem não é?”
A verdade é que Woody Allen continuará a ser Woody Allen e de Larry David nem se fala. Será que menos com menos dá mais? Não sei, estou céptico quanto ao resultado, mas enfim, “whatever works”, como já nos vão avisando no próprio título do filme.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Para quem nunca percorreu Knight Lore e os seus labirintos

"My journey's end is near; as the last few ebbs of daylight dance fleetingly in the cooling twilight, and then suddenly dart off to chase the red sinking sun. Behind me I feel night's dark icy fingers slither up long looming shadows, hiding behind large mounds and boulders, watching my every move... silently waiting..."

Perigos dos eufemismos

Fui hoje ao Albert Heijn comprar, entre outras coisas, nutritivos souvenirs para o pessoal que vou reencontrar no meu regresso a Gondor. E perante tantas stroopwaffels que a rapariga da caixa estava a registar à minha conta tive a necessidade de lhe revelar "sabe, não é tudo para mim... são prendinhas que levo comigo no regresso à minha terra Natal", "Ah, que giro, e de onde é?", "de Portugal", "deve lá estar muito mais calor que aqui, não?", "não faço a mínima ideia". Perguntam-me sempre como está o tempo em Portugal e nunca sei responder. Mas não foi isso que me veio à cabeça, foram os iogurtes Activia na prateleira dos frios. Devem ser os únicos iogurtes que os holandeses importam. Se desenharmos um diagrama de Venn em que num conjunto estão os iogurtes do Jumbo e no outro os do Albert Heijn, na sua intercepção estarão apenas os iogurtes Activia. Parecem ser um fenómeno. Mas sempre que os vejo nas prateleiras do super-mercado não consigo evitar de imaginar o anúncio aos ditos iogurtes em Portugal (que talvez seja a adaptação da publicidade noutros sítios). É uma publicidade carregada de eufemismos, mas nem sempre um eufemismo consegue esconder o verdadeiro peso das palavras que engenhosamente dissimula. E o pior é que é um anúncio a iogurtes, ora, misturar deliciosos produtos lacticínios com momentos privados de que só Deus sabe o que lá se passa, nunca me pareceu boa ideia. E mais: não imagino nenhuma arte capaz de fazer sublimar a mensagem (não direi repugnante, mas pelo menos não susceptível de abrir o apetite) de uma dejecção, de forma a torná-la "sexy" enquanto associada ao acto de comer um iogurte. É que a coisa fica muito sobreposta, o WC e o iogurte.
E depois ouvimos todos aqueles ridículos eufemismos, como “sinto-me, sei lá, inchada” e “com Activia fiquei muito mais leve”, enquanto vemos a imagem de uma seta a descer barriga abaixo, como que anunciando graficamente todo o produto do intestino grosso a fluir alegremente, rumo à liberdade. Sei que muitas mulheres têm problemas de prisão de ventre. Alguns homens também. Mas fossem todos como eu e o iogurte não teria grande taxa de sucesso de vendas. Pelos vistos tem, ainda bem para ele, e para todos os Jejunos que dele beneficiam. Mas não consigo evitar de ver sempre o anúncio puro e duro, para além dos eufemismos: “Epá, tenho andado mesmo mal da barriga”, “que tens”, “há semanas que não faço nada… e ando sempre com a sensação de ter na barriga um cagalhão do tamanho do mundo”, “Epá, toma Activia, vais ver que isso passa”, “Tinhas razão, depois de comer Activia parece que já acertei o relógio”, “Conseguiste?”, “Se consegui? Caguei que nem uma desalmada! Até me vieram as lágrimas aos olhos”, “Ena, ena, isso é que deve ter sido um verdadeiro concerto de Wagner no WC”, “Qual concerto do Wagner, aquilo parecia era uma guerra nuclear”, “Mas ouve lá, quantos iogurtes comeste tu?”, “Bem, sei lá, ontem comi uns cinco”, “Cinco??? Qual relógio qual quê, amiga, tu estás é de caganeira”. Enfim, eu aqui como iogurtes da marca Albert Heijn. São cremosos. Com alguns E’s, mas baratinhos.